January 14, 2014
 posted by / publicado por Estudio AMATAM urbanismo | arquitectura | design

Perdidos e Achados

Quando estamos a acompanhar a recuperação de um edifício, as surpresas são constantes. Por vezes, encontramos verdadeiros achados museológicos quando menos esperamos, que se encontram imóveis, aguardando décadas para que alguém repare neles. Mas para isso temos de ter um olhar crítico e aberto perante os objetos que fazem parte do esqueleto desses edifícios. Louças sanitárias… quem à partida iria se lembrar de não substituir as peças existentes numa casa de banho velha e antiga por outras novas, mais recentes, com todos os sistemas eco e automatismos topo de gama que nos fazem orgulhar da modernidade do séc. XXI. Pois bem, é essa vontade de querer entender as memórias e as histórias por detrás dos objetos, assim como dos edifícios, que nos levaram a descobrir peças sanitárias com aproximadamente um século de história. Exemplares que talvez estivessem perdidos para sempre… exemplares esses da extinta Fábrica de Louças de Sacavém.

A fábrica terá sido instituída em 1850 por Manuel Joaquim Afonso, que por motivos financeiros, por volta de 1861 viu-se na necessidade de a vender a um inglês, John Stott Howorth, que introduziu novas técnicas de produção oriundas do Reino Unido. Em poucos anos tornava-se numa das mais importantes em Portugal no ramo da produção cerâmica. Em 1893 a viúva do inglês, a Baronesa Howorth de Sacavém (titulo atribuído pelo Rei D.Luis I), estabelece uma sociedade com James Gilman que administra a fábrica até 1909, altura em que fica à frente da fábrica sozinho, após a morte da Baronesa.

O selo na imagem 01, representa esse mesmo período de transição da administração, e ajuda-nos no processo de datação.

A Fábrica de Louças de Sacavém acabaria por encerrar em 1983, por falência, após período conturbado a nível laboral e financeiro. As suas peças marcaram, no entanto a história cultural e social de Portugal, tendo sido uma das maiores fábricas de produção de cerâmica alguma vez existente.

A descoberta deste conjunto de peças sanitárias (lavatório de pé, bidé e sanita e tanque), recorda-nos que reabilitar passa por primeiro de tudo ler as virtudes existentes, compreendê-las e tentar conservá-las, ou adaptá-las às necessidades do momento presente. No fim da obra fazemos questão de partilhar o compromisso a que chegámos!

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