CASA L911

Projeto: Moradia Isolada

Localização: Famões, Lisboa, Portugal

Data: 2010 – 2014

Cliente: Privado

Área Projecto: 517m²

Fotografia: Estúdio AMATAM

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Projetar uma casa sem saber a quem se destina, é como pintar um retrato sem termos o modelo… no fim corremos o risco de projetar para nós mesmos. Sendo uma miragem projetar as denominadas casas de autor, resta-nos atuar no mercado neo-liberal do imobiliário e fazer o melhor que podemos, segundo as regras do jogo.

O cliente, como normalmente neste tipo de contexto, pretendia uma moradia com a maior otimização possível do espaço, com uma tipologia bem definida, com uma imagem moderna mas sem arrojos ou conceptualismos excessivos, e sempre com base num orçamento que privilegiasse soluções standard de boa qualidade e preço acessível.

O resultado final reflete então a nossa leitura das necessidades de habitar contemporâneas,

as expectativas do mercado imobiliário local, as pretensões do promotor da obra, as condicionantes legais aplicáveis a esta edificação, e o nosso engenho no meio de tudo isto em encontrar espaço para desenvolver uma solução que respeitasse a qualidade conceptual, estética e material que a Arquitetura deve ter.

A moradia situa-se numa zona em franco crescimento, ladeado por edifícios de cércea e características de ocupação idênticas, no entanto de qualidade arquitetónica discutível. Assim sendo, pretendemos com este projeto contribuir para o despertar da curiosidade da população local, numa talvez vã tentativa de melhorar a dignidade da paisagem urbana construída envolvente.

A morfologia do terreno e as características do lote em causa, induziram à conceção de uma volumetria simples e vincada de identidade própria. O programa da casa distribui-se de forma convencional pelos 3 pisos, sendo o primeiro a garagem, o segundo a zona social e o último a área mais privada da moradia, onde se encontram os quartos.

O volume aparentemente compacto, é trabalhado segundo a necessidade de abertura de envidraçados e varandas, permitindo criar relações visuais muito fortes com a paisagem a sul, de onde deslumbramos toda a cidade de Lisboa (chegando em dias de céu limpo ao cume da serra da Arrábida) e espaços exteriores com dimensões que permitem um usufruto para além do banal “fumar um cigarro”! A qualidade lumínica no interior da moradia foi um dos nossos maiores fatores de preocupação, tentando criar diferentes tipos de permeabilidade que se refletissem em ambiências distintas conforme a hora do dia.

Estrategicamente optou-se por abrir a moradia mais para sul, não só por questões de vistas e de insolação, mas também para evitar a exposição visual excessiva do alçado mais público.

A área destinada à garagem faz a transição entre o nível da cota de entrada e o nível bastante mais inferior no tardoz do lote, pelo que de forma a diluir a massa total do volume construído, optámos por pintar de tom diferente, assumindo um embasamento que dissimula a leitura dos níveis. Sendo nossa intenção assumir a identidade do volume, todas as subtrações assumem um tom negro, criando um jogo cromático entre cheios e vazios. As adições à fachada que se apresentam como óculos que se direcionam para a paisagem, configuram uma moldura pelo interior, nas áreas mais importantes da casa.

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