April 11, 2014
 posted by / publicado por Estudio AMATAM urbanismo | arquitectura | design

Exposição TANTO MAR – crónica do Estúdio AMATAM

Inaugurada no passado dia 21 de Março, a exposição TANTO MAR – Portugueses fora de Portugal, no CCB [Garagem Sul – exposições de arquitetura] conta com diversos trabalhos de diferentes ateliers, preconizados ao tema do envolvimento social em diferentes escalas. O convite para participámos com o trabalho que temos desenvolvido enquanto Coletivo Urbano e em parceria com a S+A Brasil, para a urbanização de assentamentos irregulares em São Paulo, surgiu há cerca de um ano, e desde aí um longo processo de partilha de ideias e conversas sobre as motivações do projeto se iniciou, culminando com a mostra que estará aberta ao público de 21 de Março a 20 de Julho.

O tema da exposição não é inocente, visto que nos tempos presentes a profissão de arquiteto em Portugal encontra-se praticamente em extinção. O impulso pela sobrevivência intelectual, mais do que a vontade genuína, levou a mais de 2200 arquitetos a pedirem certificados de habilitações à Ordem dos Arquitetos, para exercerem fora do país, nos últimos anos. Porém este número está longe da realidade que caracteriza a maioria destes profissionais que procuram a oportunidade de aplicarem toda a sua astúcia e criatividade na área para qual foram formados, são de factos muitos mais os portugueses arquitetos fora de Portugal! E o resultado deste êxodo forçado está à vista, enquadrando alguns desses exemplos nesta exposição.

Trinta e três projetos, em diversos continentes, são o reflexo da capacidade inata que temos para nos adaptarmos a realidades distintas, mas acima de tudo refletem o mesmo mérito e a mesma vontade de agir. A participação destes arquitetos lusos nos projetos é de variada ordem: muitos formam os seus próprios ateliers fora do país, outros colaboram em escritórios nos países que os receberam, outros ainda projetam em regime de voluntariado e claro, os que por Portugal ficam são também levados a procurar outros mercados de atuação, novas fronteiras.

Porém, um segundo tema serviu de filtro para a seleção dos projetos: a emergência social.

O ativismo social é, e deverá ser, sempre uma das preocupações da nossa classe. Os projetos de âmbito social, não devem ser o patinho feio do espectro da nossa atuação, e é nestes tempos difíceis que nos apercebemos que muitos destes arquitetos, a maioria jovens, encontraram no envolvimento direto com as populações mais carenciadas a oportunidade de mudar o mundo, com o saber do seu ofício. Por isso, o mérito desta exposição deverá ser para eles. Compareçam e vejam como se pode fazer tanto, com tão poucos recursos.

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